Uma matéria válida para univesidades e alunos, independente de direcionamentos. Sugiro enormemente a leitura.
Sobre a função da universidade e
do estudante
No estudo de movimento estudantil faz-se necessária
à compreensão sobre o conceito de universidade e o papel do estudante na
sociedade como discussão introdutória. Assim, na última reunião, após a leitura
do texto O movimento Estudantil tentou discutir o que é universidade a
partir do conhecimento empírico que obtemos a partir da vivência de estudante
na UFPE, comparando diferentes áreas e realidades.
Chegamos ao consenso da presença de um caráter de
especialização, como na divisão do trabalho, que fundamenta sua organização.
Isso é percebido pela divisão das áreas de conhecimento. O ensino dentro dos
cursos é muito direcionado, o que restringe a formação que o aluno recebe na
universidade a um conhecimento puramente técnico. Formando um profissional
(algumas vezes) preparado, mas carecendo de uma formação cidadã, sem o formar
para a vida.
Assim a universidade é percebida pela sociedade,
pelos próprios estudantes, como um instrumento de crescimento social, uma
possibilidade de mudança social. Uma instituição que fornece diplomas que
auxiliam (e não garantem) a entrada no mercado de trabalho. Essa visão de
entrar na universidade a fim de conquistar um “status de universitário” pode
ser apreendida, por exemplo, na análise das campanhas publicitárias hoje em dia
que identificam a entrada na universidade como uma possibilidade de realizar
seus sonhos.
Porém essa não é a universidade que desejamos.
Acreditamos que a universidade tem potencialidade para oferecer outros serviços
para a sociedade e para a formação de um estudante.
Cremos que a universidade deveria estimular a formação
de cidadãos, de indivíduos em sua totalidade, em sua multiplicidade de ser
humano, e não apenas como um profissional. Assim seria se houvesse maior
intercâmbio de conhecimento entre as diversas áreas de estudo, se um aluno de
qualquer centro fosse posto em contato com o que acontece nos outros centros e
pudesse aprender um pouco com outra visão, com outros pontos de vista. Dessa
forma a universidade ofereceria uma formação mais completa ao estudante.
Outro ponto em que concordamos quanto ao papel que
uma universidade deveria desempenhar dentro da sociedade é a questão do seu
compromisso social. A universidade não pode ser vista apenas como um antro de
pesquisa e ensino movidos pelo interesse do conhecimento pelo conhecimento. Em
sua política de atuação a universidade deveria ter como prioridade o
compromisso que tem com a sociedade em que está inserida, fazendo com que o
conhecimento ali produzido respondesse aos interesses da sociedade.
Porém não é isso que vemos acontecer. Cada vez
mais, as áreas de pesquisa são voltadas ao interesse das empresas e muitos
centros da universidade recebem, inclusive, investimentos privados. Estes, ao
invés de funcionar como um complemento financeiro que beneficiasse a
instituição, faz com que ela se inclua na lógica do mercado, tratando a
educação como produto. Nesse sentido apoiamos o crescimento do trabalho de
extensão nas universidades, responsável pela efetivação desse seu compromisso
social.
Dessa maneira a universidade deveria trabalhar no
sentido de desenvolver e estimular essa consciência de seu compromisso social
entre aqueles que a formam (corpo docente, discente e funcionários) e,
principalmente entre os estudantes, aqueles que ela forma.
O universitário deve assumir seu compromisso social
pela: a) consciência ético-moral da oportunidade que este está tendo em estudar
numa universidade, frente aos números do Brasil que mostram a maioria dos
jovens trabalhando sem a oportunidade de fazer um ensino superior; b) porque a
sociedade sustenta um indivíduo na faixa etária da população economicamente
ativa, porém sem trabalhar, dedicado aos estudos – sustentação bastante
evidente no caso de um estudante de uma universidade federal-pública; c) porque
ao ingressar na universidade o estudante assume os objetivos da própria universidade
devendo assim trabalhar de acordo com as prioridades da universidade e a fim de
atingir suas metas.
Assim, acreditamos no papel compromissado com a
sociedade que o estudante deve assumir.
Fonte: Grupo Ágora - Fundação Joaquim Nabuco.
Matéria postada por Werley Novais.
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