sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Porque Larguei a Academia


Traduzi um texto do Prof. Terran Lane, prof. Titular da University of New Mexico, que deixou um cargo vitalício e seguro para trabalhar numa empresa privada, o Google.
Sua decisão gerou consternação geral nos seus colegas, e sua carta que resumi é interessantíssima pelos temas atuais que aborda.
Como quase todo mundo sabe, renunciei ao meu cargo na Universidade do Novo México e estou trabalhando para o Google, em Cambridge (MA).
 Inúmeras pessoas, desde meus amigos ao meu (ex) reitor tem perguntado "por quê?".
Por que desistir de uma [alguns dizem 'confortável'] posição no corpo docente estável e vitalício para a engrenagem da vida corporativa?
Eu estou preocupado que os EUA - uma das potências de inovação do mundo - irão prejudicar o seu próprio futuro consideravelmente se continuarmos a fazer a profissão de professor desinteressante.
Em última análise, eu escolhi a ciência a fim de fazer uma diferença positiva no mundo.
Google é um exemplo de uma organização que realmente está usando a ciência da computação para fazer uma diferença real e positiva no mundo.
Embora seja também difícil fazer um impacto em uma empresa imensa, como o Google, no atual clima parece que tenho mais chances no Google do que na Academia.
No meu tempo na UNM, eu servi sob quatro presidentes de universidades, três reitores e dois diretores.
O padrão consistente de mudanças de gestão foi a centralização do controle, centralização de recursos e aumento da pressão sobre os departamentos e professores.
Esta forma gradual, mas bastante perceptível, produziu:
Hiperespecialização e estreiteza de visão. 
As pressões econômicas também se transformaram em pressões intelectuais.
Quando os seres humanos sentem pânico tendem a se tornar mais conservadores e avessos ao risco - nós vamos com a coisa certa.
O problema é a criatividade sobre o risco exploratório. O objetivo é encontrar coisas novas - para ir além do estado-da-arte e descobrir ou criar coisas que o mundo jamais viu.
É uma contradição ao mesmo tempo, forjar-se no desconhecido e insistir em uma aposta certa.
Tradicionalmente, os EUA e as universidades têm proporcionado um lar seguro para esse tipo de exploração. Há apoio federal, estadual e financiamento das empresas.
No entanto, no clima atual todas estas entidades bem como os próprios cientistas estão se afastando de uma pesquisa exploratória e insistindo nessas apostas certas.
A maioria dos recursos vão para ideias e técnicas (e pesquisadores) que comprovaram ser rentáveis no passado, embora seja difícil e cada vez mais difícil se obter ideias fora do mainstream ou aceitas pela revisão por pares, com o apoio da universidade ou financiados por agências de concessão.
O resultado é a visão cada vez mais estreita em uma variedade de campos científicos, e uma intolerância de exploração criativa. 
 Incentivos pobres.
 Além disso, "publicar ou perecer" e "financiar ou perecer" são pressões que desencorajam a exploração fora da nossa própria especialidade.
É difícil fazer uma pesquisa exploratória ou interdisciplinar, quando é improvável produzir publicações novas em seu próprio campo ou ter novas fontes de financiamento.
(Sem falar que, digamos, ajudar os estudantes a concluir os seus graus.)
Mas muitas coisas que são socialmente importantes a fazer, não requerem necessariamente a pesquisa em todos os campos que participam, por isso há um forte desincentivo para trabalhar nelas.
Como apenas um exemplo da minha própria experiência: quando você não consegue obter crédito para ajudar a salvar bebês, então você sabe que há algo seriamente errado no sistema de incentivos.
Produção em massa de Educação.
Houve muita emoção na mídia acerca dos 100.000 estudantes de Stanford + no curso de informática, aulas de open-source do MIT, e outros esforços de massa, de educação à distância.
De certa forma, esses esforços são realmente emocionantes - e oferecem a verdadeira mudança profunda na forma como fazemos a educação em talvez mil anos.
Eles oferecem a democratização da educação - a abertura do acesso à educação de classe mundial para as pessoas de todo o mundo e de diversas origens econômicas e sociais.
 Mas eu tenho que alertar cautela com essa tendência.
 Primeiro, eu me preocupo se a produção em massa vai ter o mesmo efeito que teve na fabricação de mais de dois séculos: os administradores ansiosos para poupar dinheiro, vão criar cada vez classes maiores com menos professores para ensinar.
Será que estamos nos aproximando do dia em que haverá apenas um professor de ciência da computação para os EUA inteiro?
 Em segundo lugar, eu suspeito que os "vencedores terão tudo" irá distorcer a Academia da mesma forma que tem distorcido a indústria e a sociedade.
Quando libertado das limitações da distância e do ensino, por que não cada aluno escolher uma educação de Stanford ou MIT sobre, digamos, UNM?
Quando veremos os AT & T, Microsoft, Google da Academia.
Em quanto tempo teremos 1% das universidades e professores reunindo 99% dos alunos e os recursos?
E finalmente em terceiro lugar, esta tendência ameaça matar um pouco do que é mais valioso sobre a experiência acadêmica, para alunos e professores.
No nível mais fundamental, a educação acontece entre os indivíduos - uma ligação pessoal, longa ou curta, entre mentor e estudante.
Quer se trate de pessoalmente responder a uma questão levantada na sala de aula, passando de vinte minutos de trabalho por meio de uma ideia complicada no horário de expediente, ou gastar anos de estreita colaboração em um relacionamento de mentoria PhD, questões de conexão humana para ambos os lados.
Ela ressoa em nível muito mais profundo do que a mera transmissão de informações - nos ensina como ser social em conjunto e define modelos do que é para realizar em um campo, a pensar com rigor, para ser profissional e ser intelectualmente maduro.
Estou com muito medo de que nossos esforços para democratizar o processo vai matar essa conexão humana e esterilizar uma das facetas mais alegre desta instituição de mil anos de idade.
Fonte: Blog do Stephen Kanitz.
Matéria Postada por Werley Novais.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Falta de Tempo dos Executivos não é Verdade

Sandra Regina da Luz Inácio

A Pesquisa da Manager confirma o senso comum. O executivo brasileiro é um homem ou mulher sem tempo. Tivesse tempo, buscaria o que tanto precisa: informação, conhecimento e novas competências. Mas não será a falta de tempo mais um mito da vida de executivo?

Estilo de vida
Talvez tudo se resuma a uma questão de estilo. Quando um executivo ascende a um cargo importante, o pacote já vem pronto: carro, secretária, agenda lotada e assistência médica, para as primeiras pontes de safena. Dai em diante, a cordialidade e a disponibilidade desaparecem. Em seu lugar, o executivo tem de parecer ocupado e distante, o relógio no pulso e o mundo nas costas. Executivos estão sempre com a mente no trabalho e os olhos no relógio. Nesta era turbulenta e incerta, a obsessão pelo trabalho foi glamourizada e transformada em estilo de vida. A ansiedade tornou-se estado (permanente) de espírito e o. tempo tornou-se moeda escassa.

"Ter poder é controlar o tempo dos outros e o seu próprio". Jacques Attali

Senhor(a) do tempo
O tempo atual, moderno, é único, rítmico e apertado. Único, porque todo o planeta está conectado e sincronizado. Rítmico, porque todas as atividades da nossa vida social são marcadas pelas horas. Apertado, porque precisamos produzir cada vez mais usando cada vez menos recursos.

Tudo isso é recente. Se vivêssemos antes da Revolução Industrial, não teríamos relógios e seguiríamos o ritmo ditado pela natureza. Observaríamos o tempo pelas mudanças de luas e pelas trocas de estações. O primeiro sinal de transformação provavelmente veio com o apito das fábricas chamando os operários para a jornada de trabalho.

"A máquina-chave da era industrial moderna não é a máquina a vapor, mas o relógio". A partir dai, um padrão artificial se impôs. O homem passou a ser senhor do tempo, mas passou também a ser seu escravo. Jacques Attali

Tempo em fuga
Até a década de 70, só se usavam relógios de mostrador e ponteiros iguais a todos os relógios de parede do passado. Nesses relógios o tempo dava voltas, sempre retornando ao mesmo ponto. A revolução veio com os relógios digitais, que substituíram o mostrador pela tela de cristal liquido. No lugar do mostrador e dos ponteiros, seis números: dois para as horas, dois para os minutos e dois para os segundos. Foi quando começamos a perceber que o tempo não mais flui circularmente, mas fugia velozmente, escapando do nosso o controle. Hoje, o relógio é um dos bens mais produzidos no mundo. Sai anualmente das fábricas algo próximo de meio bilhão de relógios.

No inicio de nossa vida, o tempo é um ser invisível. Mais concretas são suas manifestações: a chegada das férias, a entrada do verão ou a aproximação do Natal. Um belo dia, alguém tem a infeliz idéia de nos dar um relógio. Somos abruptamente iniciados no mundo da pontualidade, do sincronismo e dos tempos artificiais. Então, num outro também belo dia, nos damos conta de que 24 horas já não são suficientes para todas as atividades que nelas queremos colocar: reuniões, relatórios, compromissos. Ai já é tarde demais, tornamo-nos reféns das intrincadas engrenagens da vida social. Não somos mais danos do nosso tempo.

Mestre do seu tempo
A atitude das pessoas diante do tempo é curiosa. Alguns tentam culpá-lo por todas as coisas que não são feitas. Por que, afinal, o dia não tem 30 horas, outros se organizam para mais bem aproveitar suas 24 horas. O filósofo Michel Setres chegou a sugerir: "Agora, todo mundo tem relógio e ninguém tem tempo. Troque um pelo outro: dê o seu relógio e aproveite o seu tempo".

Pode o executivo tornar-se mestre do seu tempo? Certamente sim. Provavelmente, a primeira coisa a mudar é a atitude, ou estilo. Como qualquer arte, a mestria do tempo exige disciplina, paciência e, lógico, tempo. No final das contas, não vale a pena fazer mau uso do tempo.

"Em longo prazo, estaremos todos mortos". John Maynard Keynes

Executivos atômicos
O mais interessante é que, embora pareça, o tempo não é uma constante física. Como observou Albert Einstein na Teoria da Relatividade, o efeito do movimento e da gravidade pode expandi-lo ou dilatá-lo. A idéia foi comprovada em 1971 quando dois relógios atômicos foram colocados a bordo de dois aviões de alta velocidade. Um voou no sentido da rotação da terra. O outro, no sentido inverso. Completado o vôo, foi comprovado que os relógios de bordo haviam ganhado tempo, em um caso e perdido tempo em outro caso, em relação a um terceiro relógio atômico, deixado em terra. Talvez seja por isso que a frota brasileira de executivos seja uma das maiores do mundo. Resta saber se esses executivos estão voando na direção certa.

PhD em Administração de Empresas, PhD em Psicologia Clínica, Psicanalista, Mestre em Administração de Empresas, Especialista em Estratégias de Marketing em Turismo e Hotelaria; MBA em Gestão de Pessoas, MBA em Metodologia e Didática do Ensino Superior e Especialista em Informática Gerencial


Fonte: COAD

Matéria postada por Werley Novais.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Aproximação entre contabilidade gerencial e contabilidade financeira com a convergência contábil brasileira às normas IFRS.

Dissertação de Mestrado

Autor: Gilio, Luciano
Orientador:  Afonso, Luis Eduardo
Banca Examinadora:  Afonso, Luis Eduardo, Frezatti, Fabio, Weffort, Elionor Farah Jreige

Resumo Original: Este trabalho investiga se a adoção das normas IFRS - International Financial Reporting Standards, por meio dos pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC, resultou em aproximação significativa dos conceitos usados pela contabilidade gerencial e pela contabilidade financeira nas empresas brasileiras. Com a adoção das normas internacionais de contabilidade (as normas do International Accounting Standards Board - IASB) no Brasil, chamada de convergência contábil brasileira, a contabilidade financeira passou por significativa alteração de padrões. Essa alteração ocorreu por meio de pronunciamentos do CPC ou pela adoção das IFRS. Amparadas por uma estrutura conceitual básica que incluiu a primazia da essência sobre a forma no reconhecimento, mensuração e evidenciação na contabilidade, essas novas normas introduziram conceitos como a mensuração a valor justo de ativos que usam a essência econômica das transações como premissa para o registro contábil. Por sua vez, a contabilidade gerencial possui a discricionariedade necessária para usar a essência econômica na apuração de transações para os usuários internos das companhias tomarem decisões. Observou-se um número reduzido de pesquisas que estudaram, diretamente, a relação entre contabilidade gerencial e financeira. Mesmo que o desenvolvimento dessas modalidades de contabilidade tenham levado a caminhos diferentes, a mesma base referencial, atrelada à essência econômica, pode induzir ao entendimento de que a adoção das normas internacionais de contabilidade possa aproximar contabilidade financeira e gerencial. Foi elaborada análise de conteúdo nos pronunciamentos técnicos selecionados, com base em documento emitido pelo CPC, que apontou os pontos nos pronunciamentos vigentes de provável maior impacto nas demonstrações contábeis. Foram selecionados critérios relevantes e com maior probabilidade de aproximação entre contabilidade gerencial e financeira. Esses critérios foco serviram de referência na elaboração de questionário estruturado pelas teorias estudadas, principalmente a teoria institucional. O questionário foi enviado a 638 companhias abertas brasileiras, dos quais foram recebidos aproximadamente 10,3% respondidos. Parte das respostas gerou análises de frequência conforme padrão em escala Likert. Identificou-se que ocorreram aproximações devido às evidências obtidas, ainda que não em todos os processos investigados. Resultados obtidos poderão contribuir para o ensino e aprendizagem de contabilidade no contexto das novas normas internacionais. Empresas e órgãos reguladores poderão identificar pontos de atenção para discussão a fim de obter melhores práticas em ações futuras.

Confira na íntegra pelo link:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12136/tde-24012012-154824/

Postada por Werley Novais.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Educação é a saída, mas professor é visto como entrave

“Vagabundo que faz greve deveria ser demitido.”

Ouvi essa frase algumas vezes nos últimos dias, com algumas variações, por conta da greve dos professores das universidades federais. Sendo que as piores versões são aquelas proferidas por inflamados comentaristas da internet e por indignados gestores públicos, não por sua virulência, mas pelo cinismo que carregam. E, é claro, ela nunca vem sozinha: passeata que atrapalha o trânsito? Cacete neles! Protesto em praça pública? Cacete neles! Onde já se viu? Essas pessoas têm que saber seu lugar.

Sindicatos não são perfeitos, longe disso. Assim como ocorre em outras instituições, eles possuem atores que resolvem voltar-se para os próprios umbigos e tornar a busca pelo poder e sua manutenção de privilégio mais importante que os objetivos para os quais foram eleitos. Ou seja, tá cheio de sindicalista pelego ou picareta, da mesma forma que empresário corrupto e sonegador. Contudo, graças à organização e pressão dos trabalhadores, importantes conquistas foram obtidas para civilizar minimamente as regras do jogo – não trabalhar até a exaustão, descansar de forma remunerada, ter salários (menos in)justos, garantir proteção contra a exploração infantil. Direitos estes que, mesmo incompletos, são chamados por alguns empregadores de “gargalos do crescimento”.

É esquizofrênico reclamar que não há no Brasil quantidade suficiente de força de trabalho devidamente preparada para fazer frente às necessidades de inovação e produtividade e, ao mesmo tempo, chutar feito caixa de giz vazia as reivindicações de professores por melhores condições e remuneração. Como acham que o processo de formação ocorre? Por osmose?
Incrível como muitos colegas, ao tratarem sobre a greve dos professores, chamam sempre as mesmas fontes de informação que dizem, sempre, as mesmas coisas: é hora de apertar os cintos, os grevistas só pensam neles, a economia não aguenta, bando de vagabundos, já para a senzala, enfim. Não existe imparcialidade jornalística. Qualquer estudante aprende isso nas primeiras aulas. Quando você escolhe um entrevistado e não outro está fazendo uma opção, racional ou não, por isso a importância de ouvir a maior diversidade de fontes possível sobre determinado tema. Fazer uma análise ou uma crítica tomando partido não é o problema, desde que não se engane o leitor, fazendo-o acreditar que aquilo é a única intepretação possível da realidade.

Infelizmente, muitos veículos ou jornalistas que se dizem imparciais, optam sistematicamente por determinadas fontes, sabendo como será a análise de determinado fato. Parece até que procuram o especialista para que legitime um ponto de vista. Ou têm preguiça de ir além e fugir da agenda da redação, refrescando suas matérias com análises diferentes.

Apoio os professores. Apoio os metalúrgicos de fábricas de automóveis. Apoio os controladores de vôo. Apoio os cobradores e motoristas de ônibus. Apoio os bancários. Apoio os garis. Apoio os residentes médicos. Apoio o santo direito de se conscientizarem, reconhecerem-se nos problemas, dizer não e entrar em greve até que a sociedade pressione e os patrões escutem. Mesmo que a manifestação deles torne minha vida um absurdo.

Por fim, estou farto daquele papinho do self-made man cansativo de que os professores e os alunos podem conseguir vencer, com esforço individual, apesar de toda adversidade, “ser alguém na vida”. Aí surgem as histórias do tipo “Joãozinho comia biscoitos de lama com insetos e vendia ossos de zebu para sobreviver. Mas não ficou esperando o Estado, nem seus professores lhe ajudarem e, por conta, própria, lutou, lutou, lutou (às vezes, contando com a ajuda de um mecenas da iniciativa privada), andando 73,5 quilômetros todos os dias para pegar o ônibus da escola e usando folhas de bananeira como caderno. Hoje é presidente de uma multinacional”. Passando uma mensagem “se não consegue ser como Joãozinho e vencer por conta própria sem depender de uma escola de qualidade e de um bom professor, você é um verme nojento que merece nosso desprezo”. Afe. Daí para tornar as instituições públicas de ensino e a figura do próprio professor cada vez mais acessórias é um passo.

Educação é a saída, mas qual educação? Aquela defendida pelo pessoal do “Amigos do Joãozinho”? Educar por educar, passar dados e técnicas, sem conscientizar o futuro trabalhador e cidadão do papel que ele pode vir a desempenhar na sociedade, é o mesmo que mostrar a uma engrenagem o seu lugar na máquina e ponto final. Uma das principais funções da escola deveria ser produzir pessoas pensantes e contestadoras que podem colocar em risco a própria estrutura política e econômica montada para que tudo funcione do jeito em que está. Educar pode significar libertar ou enquadrar. Que tipo de educação estamos oferecendo? Que tipo de educação queremos ter? Para essa tarefa, professores bem formados e remunerados são fundamentais.

Em algumas sociedades, pessoas assim, que protestam, discutem, debatem, discordam, mudam são úteis para fazer um país crescer. Por aqui, são vistas com desconfiança e chamadas de mal-educadas e vagabundas. Ironia? Não, Brasil.

Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Matéria enviada pelo Prof. Flávio Dantas.

Postada por Werley Novais.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


                                Princípios Contábeis.

Os Princípios de Contabilidade representam a essência das doutrinas e teorias relativas à Ciência da Contabilidade, consoante o entendimento predominante nos universos científico e profissional.
Nota: a partir de 02.06.2010, Os "Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC)", citados na Resolução CFC nº 750/93, passam a denominar-se "Princípios de Contabilidade (PC)", por força da Resolução CFC 1.282/2010.

Os princípios são aplicáveis à contabilidade no seu sentido mais amplo de ciência social, cujo objeto é o Patrimônio das Entidades.
São Princípios de Contabilidade:
I) o da ENTIDADE;

II) o da CONTINUIDADE;

III) o da OPORTUNIDADE;

IV) o do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL;

V) o da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA; (Revogado pela Resolução CFC 1.282/2010
VI) o da COMPETÊNCIA; e

VII) o da PRUDÊNCIA.

O PRINCÍPIO DA ENTIDADE
O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos.
Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.

O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

O PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE
O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas.

O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL
O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional.
Uma vez integrado ao patrimônio, os componentes patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes dos seguintes fatores:

a) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis;

b) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade;

c) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade;

d) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favorecimentos; e

e) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA
O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas.

O PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA
O Princípio da PRUDÊNCIA determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.

OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA
A observância dos Princípios de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).
Por exemplo, o princípio de competência, que exige o registro das receitas e despesas no período que ocorrerem, não pode ser substituído por adoção do regime de caixa (onde as receitas e despesas são registradas somente por ocasião de seu pagamento).

Autor: Júlio César Zanluca.

Fonte: Portal de Contabilidade.

Matéria postada por Werley Novais.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Plano de Negócios (“Business Plan”)

Como um dos maiores aliados do empreendedor na hora de realizar a avaliação da empresa, o Plano de Negócios deve ter uma estrutura sólida, mas não existe conteúdo padrão.


O Plano de Negócios é uma poderosa ferramenta gerencial para as empresas desde seu nascimento (start-up) até sua maturidade. Este material tem o objetivo de “olhar para frente”, alocando recursos humanos, tecnológicos e financeiros, observando os pontos chaves, identificando as oportunidades e antecipando possíveis dificuldades. Essa ferramenta é vital para a continuidade da empresa, mesmo para aquelas que não buscam qualquer tipo de recurso financeiro, capitalização ou posicionamento de mercado. Independente do tamanho de sua empresa ou projeto é fundamental elaborar um Plano de Negócios.
Um Plano de Negócios bem estruturado tem por objetivo ajudar o empreendedor/ executivo a planejar e focar suas idéias, tomando as ações pensadas para sua empresa, ao mesmo tempo em que é uma ferramenta de acompanhamento e definição de metas e gerenciamento de riscos.
Existem diversas formas de elaborar um Plano de Negócios, mas não existe uma formatação única ou um padrão. A seguir, um sumário dos itens que acredito podem ser utilizados como um guia simplificado e eficaz.
  1. Sumário executivo
  2. História da empresa/ ou do projeto
  3. O produto/serviço
  4. O mercado
  5. A concorrência
  6. Marketing
  7. Manufatura e operações
  8. Equipe de gestão
  9. Resultados históricos (quando disponíveis) e projeções financeiras
O empreendedor e sua equipe devem assumir a preparação do Plano de Negócios, estabelecendo a visão geral do plano, sua aplicação, seus prazos e objetivos. Esse exercício é parte importante do planejamento estratégico das organizações que se encontram melhor estruturadas.
Ao mesmo tempo em que todo o material é importante, faço alguns comentários específicos sobre a seção de resultados históricos e projeções financeiras. Nesta seção, todos os pressupostos e os dados quantitativos apresentados em outras partes são submetidos a um teste numérico. Em outras palavras, as projeções financeiras são elaboradas com todas as estimativas de vendas da empresa, todos os custos de produção,distribuição, logística e despesas comerciais e administrativas em um resumo de tipo financeiro. Devemos elaborar as projeções financeiras para um período de três a cinco anos para que estas sirvam como orientação para a equipe de gestão sobre os objetivos da organização nesse período e também para comunicá-las a instituições financeiras ou possíveis investidores. O plano financeiro deve ser elaborado em padrões mínimos conhecidos, podendo ser mais simplificado ou detalhado de acordo com seu segmento de mercado e a qualidade das informações obtidas em toda sua pesquisa, mas em resumo conter como resultados (“output”):
• Demonstrações financeiras (balanço patrimonial, demonstrativo de resultados/ lucros e perdas e fluxo de caixa) dos últimos anos (se disponível);
• Projeções financeiras e fluxo de caixa para o período de três anos;
• Análises econômicas: ponto de equilíbrio, lucratividade, retorno sobre investimento, etc.
Quando houver a necessidade de recursos financeiros externos por meio de financiamento, é importante incluir em suas projeções um resumo desde a utilização até a liquidação dos recursos. Potenciais investidores e financiadores querem ver quanto recurso financeiro seu negócio irá precisar e a capacidade de pagamento e geração de valor do negócio.
Alexandre Pierantoni é sócio da PwC Brasil, especialista em Corporate Finance.
Matéria postada por Werley Novais.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


          Alguns aspectos da tão sonhada  Reforma Tributária Brasileira.

A Reforma Tributária Brasileira visa reformular a maneira como o sistema de tributação existente no país age. Em seu âmago, busca transformar esse sistema para um mais igualitário e justo. Com um modelo de tributação mais eficiente, menos complexo e menos taxativo pode-se alcançar melhores índices de desenvolvimento econômico, de eficiência empresarial e uma diminuição expressiva da pesada carga tributária que dificulta a vida dos mais pobres.

A referida reforma deve atender a alguns aspectos distintos para garantir o bem estar social, através de uma maior eficiência do Estado, desenvolvimento do setor privado sem as amarras da alta carga tributária.

Dentro do setor público a primeira grande questão é diminuir a parcela da União correspondente a receitas tributárias e aumentar o repasse aos Municípios. Segundo a União esse repasse se faz improcedente, visto que a fiscalização quanto à utilização de recursos públicos pelas prefeituras é menor e com mais recursos a corrupção poderia de alastrar rapidamente. Em contra-argumentação os prefeitos afirmam que o ente federativo mais próximo da população é justamente os municípios e que eles são mais conhecedores das necessidades da população e que a governança Municipal é mais eficaz que a Estadual ou Federal. A segunda grande problemática diz respeito ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços Comunição e Transporte Intermunicipal e Interestadual (ICMS). A ideia de fomentar o desenvolvimento regional próximo do mesmo patamar vai sendo esvaída pelo fato de que cada região/Estado quer ganhar mais em detrimento ao recuo de receita de outro ente da federação. Como nenhum deles quer perder, mas querem ganhar mais, esse impasse dificulta a instalação imediata de uma reforma tributária que é necessária ao país.

No setor privado a grande questão é aumentar a competitividade das empresas face aos mercados nacionais e internacionais. Aumentar ou diminuir subitamente os tributos de importação como vem sendo feito não é o melhor caminho a ser seguido. As empresas precisam ganhar competitividade e a onerosa carga tributária impede essa condição, dado que para algumas empresas os tributos consomem 30% a 40% da receita. Para os industriais a carga tributária é o que mais preocupa, mais até que a concorrência do exterior. Os altos custos de produção impedem que as empresas brasileiras concorram no mercado exterior considerando que estes altos custos tributários são repassados para o preço final do produto. Outro fato é a dificuldade de investimentos que as empresas encaram. Na compra de bens são pagos alguns tributos à vista, como PIS e COFINS, recebendo o crédito em 24 meses, neste caso fica claro a artimanha do Estado em financiar seus atividades a longo prazo. Na folha de pagamentos também fica evidente a dificuldade em se dar continuidade a políticas de competitividade das empresas quando é calculado o custo de um empregado em um empresa que saiu da proporção de 2 para 1, para 2,4 para 1, ou seja, se um empregado recebe fixo R$ 1.000,00 ele pode custar até R$2.400,00 para as empresas se todas as obrigações previdenciárias e trabalhistas forem cumpridas. Em virtude dessas questões as empresas pedem desesperadamente uma reforma que garantam os direitos dos empregados e as receitas do Estado, porém que não as impeça de crescer e ganhar novos mercados.
Autor: Werley Novais.

domingo, 5 de agosto de 2012

Negócios Favorecem as Mentes Preparadas

A educação é a resposta para manter-se preparado para as mudanças do mercado e do mundo.

Recorrentemente, pessoas me consultam sobre educação executiva e melhores escolas e cursos para desenvolvimento profissional e, quando explano as inúmeras possibilidades, vejo um semblante de preocupação dos meus interlocutores quanto aos valores financeiros destes cursos.

Sempre recorro ao filósofo Pitágoras, que exclamava: “A educação é cara? Experimente a ignorância”. Não temos alternativas, seremos eternamente reféns de escolas, não necessariamente da escola presencial, mas de alguma forma seremos reféns da educação. Como professor de duas renomadas escolas de educação executiva, os alunos me questionam de forma sistemática o que faço para melhorar as minhas habilidades. Estudei muito no decorrer da vida e ainda estudo muito de forma autônoma por meio de leituras, pesquisas e muita “hora bar”... ops... deixe-me explicar: hora bar entende-se almoços, cafés da manhã, reuniões, seminários, palestras, etc, e tantos outras atividades correlatas que de alguma forma me coloquem frente a frente com pessoas interessantes que estejam fazendo algo novo  interessante.

Este esforço para melhorar as minhas competências e habilidades e tornar-me um executivo mais preparado para enfrentar os problemas inéditos, que me deparo no meu cotidiano profissional. Atualmente, faço aulas de xadrez uma vez por semana, pois entendo que é uma forma lúdica de melhorar meu senso estratégico, além de aprimorar a minha visão combinatória e holística. Estas aulas faço no período noturno, via Skype, sem conhecer o professor. Uso o Paypal para remunerá-lo, algo impensável na linha recente do tempo. Regularmente faço sessões de fonoaudiologia; o principal insumo da minha atividade é o uso da voz da palavra cercada de convencimentos, persuasão, articulação e competência cênica. As técnicas de fono me ajudam muito a controlar a minha ansiedade, velocidade das expressões e sobretudo respiração, atributos importantes na rotina diária de gestão de conflitos que cercam o mundo executivo.

Não tem refresco, hoje ando duas vezes mais rápido que andava cinco anos atrás para permanecer no mesmo local. Nas transformações atuais, a curva de esquecimento é mais importante que a curva de aprendizado. A cada dois anos a maioria das minhas habilidades perecem, tudo que aprendo está sujeito a uma rápida erosão, as competências descasam rapidamente, o que era uma verdade absoluta ontem se torna um grande ridículo hoje.

Participei recentemente de um badalado evento no qual um renomado palestrante fez uma menção batida no mundo corporativo: um cliente satisfeito fala para x pessoas e um insatisfeito fala para outros tantos x. Santa ingenuidade. No mundo das redes sociais, esta afirmação não faz sentido nenhum, típico exemplo de um profissional que descasou competências. Quem fica com um pé no passado e outro no futuro acaba fazendo xixi no presente. O mundo dos negócios é implacável para quem não estiver com a mente preparada, portanto, expanda a sua mente. Educação, em qualquer dimensão, é a única saída.
 
Romeo Deon Busarello é Diretor de Ambientes Digitais da Tecnisa e Professor dos cursos de MBA e Pós Graduação do Insper e ESPM.
 Fonte: EndeavorBrasil.

Matéria postada por Werley Novais. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012





Caros colegas;
Fazendo uso do blog do CACIC, trago um modesto e embrionário estudo que desenvolvi, quando das atividades referentes a disciplina - Direito Empresarial - no 3º Semestre. Por ser superficial acredito que servirá com um guia para que os interessados em desenvolver o tema tenha um ponto de partida para sua incursão mais acurada no tema. Todos os livros consultados encontram-se disponíveis na biblioteca da UESB. Comentários com críticas construtivas são sempre e muito bem vindos.
[ Werley Novais ]
Teoria da Empresa
1.     Introdução.
Nos dias atuais a empresa se tornando uma unidade de grande importância nos processos e relações comerciais, internacionais ou nacionais, que delegou ao direito a necessidade de uma nova analise acerca dos procedimentos jurídicos implantáveis aos grandes organismos comercias de produção em massa e também a regulamentação de atividades que não eram incluídas nas leis como atividades econômicas rentáveis.
Este presente estudo busca esclarecer e viabilizar o estudo e a informação da criação até a implantação do novo código civil que veio a integrar várias atividades em um só conceito, o de Teoria da Empresa.  
É nesse cenário que essas novas resoluções vem mudar a conceituação de varias atividades econômicas e influenciar o advento do novo Código Civil Brasileiro, com base no Código Civil Italiano e na mesma teoria supracitada, que veio a estabelecer um conceito universal de empresário, definido no Art. 966 do Código Civil Brasileiro (CCB): “ Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”.
“ Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento da empresa”.
2. Da evolução histórica até o advento da teoria da empresa:
Considerando que a essência do Direito é a regulamentação de fatos que se sucedem periodicamente, se faz mister consultar, na história recente, mudanças e acontecimentos relevantes para compreendermos melhor a origem das normas comerciais que fizeram parte da evolução do Direito Comercial até a Teoria da Empresa.
Desde a época medieval o crescimento da mercancia fez surgir uma nova profissão, a de Comerciante, que posteriormente daria origem aos burgueses, fazendo frente aos senhores feudais já existentes. Em meio a esse cenário de mudanças mercantis surge a necessidade de regulamentar essa vertente da economia, necessidade essa que veio a fomentar uma nova fase da teoria do Direito Comercial, que foi sumariamente segregada em Teoria Subjetiva e Teoria Objetiva.
Configuraram-se em Teoria Subjetiva os atos de controle e jurisdição atribuídos aos cônsules, que eram comerciantes, por meio de leis criadas pelos próprios comerciantes e assim somente eram considerados se fossem devidamente matriculados e sujeitos às leis que eram discutidas nos tribunais de comércio.
Mas havia ainda algumas lacunas a serem preenchidas a respeito do conceito da Teoria Subjetiva, uma delas é que ficaria muito parcial a classificação apenas e tão somente àqueles que estivessem matriculados como comerciantes, era necessário elaborar também o conceito de comércio. Daí surge uma nova interpretação acerca da matéria comercial, dando, assim, base para a formação e expansão ao conceito objetivista, que traria em seu bojo os atos de comércio.
A Teoria dos Atos de Comércio vem com uma proposta de redefinir a maneira de classificar o comerciante somente por uma simples matricula. A intenção era usar um critério mais objetivo, o de praticar determinado ato de comércio de forma profissional para que o comerciante seja considerado com tal. A partir de uma analise mais criteriosa e minuciosa poderia se classificar os comerciantes de forma a retratar mais fielmente sua real atividade, o que facilitaria a atribuição de prerrogativas justas aos indivíduos de direito. Os atos de comércio permitiam tamanha fidelidade de classificação que foi adotada e inserida, posteriormente, no Código Napoleônico de 1807.
A esse respeito discorre o Professor Rubens Requião:
“O Código Napoleônico de 1807 adotou declaradamente o conceito objetivo, estruturando-o sobre a teoria dos atos de comércio. O sistema objetivista, desloca a base do direito comercial da figura tradicional do comerciante para os atos de comercio...”.
O Código napoleônico veio assim a servir de parâmetro para outros códigos criados após seu advento, a exemplo do código espanhol de 1829, o brasileiro de 1850 e outros.
O direito comercial sofreu uma grande mudança a partir da edição, em 1942 na Itália, do Codice Civile que reúne em uma única lei as normas do direito privado (Civil Comercial e Trabalhista). Nessa época o objeto conceitual do direito comercial deixa de ser o “ato de comercio”, e passa a ser a “empresa”.
O progresso tecnológico e da economia de massa dessa época, dada à mudança na estrutura do sistema capitalista, que se precipitaria no século XX com as duas grandes guerras e as crises de 1921 e 1929 fizeram com que as pequenas empresas que eram submetidas às leis do mercado, próprias do capitalismo industrial, fossem pouco a pouco sendo substituídas por grandes organismos econômicos com produção em larga escala e que paulatinamente começaram a monopolizar o mercado. A produção, antes isolada, vai sendo substituída pela atividade mercantil e industrial em série. Essa nova ordem de atividades impõe uma crescente especialização e a criação de organismos cada vez mais complexos. Com o crescimento e diversificação da atividade mercantil surge um novo ponto de referência para o direito comercial, a atividade negocial.
 Assim explica Luiz Gastão Paes de Barros Leães:
“(...) isto é, a prática reiterada de atos negociais de modo organizado e unificado, por um mesmo sujeito, visando a uma finalidade econômica unitária e permanente. Chega-se, assim, ao conceito de atividade econômica organizada, e, portanto, à noção de empresa, como núcleo do direito mercantil”.
Com a sucessão de acontecimentos históricos que remodelavam a dinamicidade do comércio e das relações referentes ao direito comercial, houve a necessidade de atualização das normas até então vigentes, a fim de atender e suprir o real patamar das relações comerciais da época. Mudando a ótica dos atos de comércio, deu-se espaço para a criação de uma nova teoria, a Teoria da Empresa que será tratada a seguir.
3.  Teoria da Empresa.
Os conceitos estabelecidos pelo Código Civil Italiano, de 1942, fundamentaram a criação da Teoria da empresa, dando partida à uma nova discussão acerca dos critérios de analise da essência da atividade econômica para que se definisse em uma única instancia ou jurisdição uma regra que figurasse em todas as formas de atividades econômicas. Ficou, assim, definida empresa como sendo uma relação entre atividade econômica e organização e, relegados à doutrina e à jurisprudência, o dever de tempestivamente relacionar e verificar até que ponto princípios tradicionais como o objetivo de lucro e a habitualidade são fatores determinantes do conceito de empresa.  Mesmo sendo um marco para o direito empresarial o advento dessa nova teoria, deixou seus mais renomados estudiosos insatisfeitos como Carnelutti, Rocco e Vivante. 
A teoria da empresa não divide os atos em civis ou mercantis. Para a teoria da empresa, o que importa é o modo pelo qual a atividade econômica é exercida. O objeto de estudo da teoria da empresa não é o ato econômico em si, mas sim o modo como a atividade econômica é exercida. Por essa teoria, desloca-se o âmbito da parte geral do direito comercial, antes centrado nas figuras do comerciante e dos atos de comércio, para a figura do empresário e da empresa, entendida esta como a atividade econômica organizada e realizada de forma habitual.
O Professor Waldirio Bulgarelli afirma que:
"nos dias que correm, transmudou-se (o direito comercial) de mero regulador dos comerciantes e dos atos de comércio, passando a atender à atividade, sob a forma de empresa, que é o atual fulcro do direito comercial".
A dificuldade da teoria da empresa é justamente estabelecer o conceito jurídico de "empresa".
Por mais que se veja defendida a relevância da empresa como organismo econômico de produção e circulação de bens e serviços, e a teoria que lhe dá significação jurídica, não se podem desconhecer a existência e a validade de outros elementos que integram o complexo objeto do direito comercial. A azienda (vocábulo de idêntica grafia nos idiomas italiano e português) equivale ao estabelecimento comercial, desde há muito reconhecido entre nós, embora não tenha merecido conceituação e tratamento legal pelo Código Comercial, nem pelo novo Código Civil Brasileiro.
Coube ao jurista italiano Asquini o desbravar desta selva de dificuldades sobre a nova instituição da empresa, resultando sua decomposição interpretativa em quatro facetas, às quais denominou de perfis, que fez publicar na Rivista del Diritto Commerciale (v.41-I, 1943), como sendo: perfil subjetivo, perfil objetivo, perfil funcional e perfil corporativo, assim entendidos a empresa como empresário, como estabelecimento, como atividade e como instituição, respectivamente.
Apesar da dificuldade de se delimitar o conceito jurídico de empresa, foi com o Código Civil Italiano de 1942 que se verificou uma tentativa séria de implantação dessa teoria, instituindo um regime legal amplo para a empresa, regulando os aspectos das relações de trabalho no âmbito da mesma, disciplinando o estabelecimento comercial e regulando o exercício de atividade pelo empresário.
Na codificação italiana, o legislador, reconhecendo que o Direito ainda não havia conseguido formular o conceito jurídico de empresa, conceituou apenas o empresário no artigo 2.082, segundo o qual "É empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços".
O art. 966 da Lei n. 10.406/2002, na abertura do livro Do direito de empresa do novo Código Civil Brasileiro, caracteriza o empresário como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”. E como se fosse necessário extremar “outras atividades” (nem econômicas, nem de produção ou circulação, no conceito corrente, para o qual é indiferente a figura do prestador e do recebedor dos serviços), o parágrafo único do art. 966 diz não se considerar empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento da empresa.
O comerciante e os atos de comércio não mais serão considerados como peças primordiais, pois o fundamento da qualificação do empresário não será, como, "o exercício profissional da mercancia" (artigo 4o. do Código Comercial de 1850), e, sim, a empresa como noção relacionada à atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida profissionalmente.
Essa nova codificação admitirá, assim, a existência de empresas nos vários setores da atividade econômica, sendo certo que o termo empresário não corresponderá mais ao antigo comerciante, mas, também, ao produtor rural (empresa rural), ao prestador de serviços, ao Estado (empresas públicas), o que alterará profundamente o campo de atuação do Direito Comercial hoje vigente, sobretudo no que tange à aplicação dos institutos jurídicos da falência e da concordata.
3. Conclusão.
A teoria da empresa representa uma grande evolução nos estudos do direito comercial, na medida em que altera a figura central das preocupações, transportando-a para a atividade empresarial, respondendo às necessidades hodiernas.
Objetivando linhas conclusivas, deve-se ter em mente que a teoria da empresa envolve três figuras que podem ser distinguidas pelos verbos aplicáveis a cada qual: empresário se é, empresa se exercita, e estabelecimento se tem.
Seu advento no Brasil ajudou o governo a estabelecer um programa de inclusão e cumprir uma divida social perante a sociedade e também aos pequenos produtores e grandes produtores, profissionais autônomos e profissionais liberais. Estas mudanças, tão significativas, são discorridas pelo próprio autor do Código Civil Brasileiro, Miguel Reale, no seguinte parágrafo em uma entrevista concedida à Revista dos tribunais, por Gisele de Macedo Braga Tapai.
“Quanto ao termo Direito da empresa, cabe assinalar que, graças a uma figura de metonímia, ou, melhor dizer, sinédoque, está aí a palavra empresa significando uma parte pelo todo que é o Direto da sociedade. Fomos levados a essa opção, por se cuidar mais, no citado livro, da sociedade empresária, estabelecendo apenas os requisitos gerais da sociedade simples, objeto da diversificada legislação relativa aos múltiplos tipos de sociedades não empresariais”.

5.  Bibliografia consultada:
COELHO, Fábio Ulhoa, 1959 – Curso de Direito Comercial, volume 1/ Fabio Ulhoa Coelho. -7. ed. rev. e  atual. de acordo o novo código civil e alterações do LSA.- São Paulo: Saraiva.2003.

ASCARELLI, Tulio. 1962 Corso de Diritto Commercialle. Ed. espanhola. Barcelona, Bosch, s.d.

BULGARELLI, Waldirio. 1997 Direito Comercial. 8º Ed. São Paulo, Atlas, 1981.

FERRARA JR, Francesco 1952 Gli impreditore e le societá. 9º ed. Atualizado por Francesco corsi, Milano, giuffrè, 1994, sem data da 1º ed.

Luiz Gastão Paes de Barros Leães (84:11). “O leasing” é uma operação financeira? RDM, v 68, 35, 1979.

REQUIÃO, Rubens, 1918-1997_ Curso de Direito Comercial/ Rubens Requião. – São Paulo: Saraiva, 1998 vol 1: 23. Ed. atual.

NERY JUNIOR, Nelson. _ Código Civil comentado/ Nelson Nery Junior, Rosa Maria de Andrade Nery. -6. ed. rev. ampl. e atual. até 28 de março de 2008. – São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 2008.

Novo Código civil Brasileiro; 10.406, de 10 de janeiro de 2002: estudo comparativo com o cc de 1916, Constituição Federal, legislação codificada e extravagante/ coletiva de autoria da editora Revista dos Tribunais, com a coordenação de Gisele de Macedo Braga Tapai; prefácio prof Miguel Reale. 3 ed. ver. e ampl, - São Paulo: editora Revista dos Tribunais, 2003.

ASQUINI, Alberto. “Perfis da empresa”. In Revista de direito mercantil, industrial, econômico e financeiro. Traduzido por Fábio Konder Comparato do artigo “Profili dell’impresa”, publicado em 1943 na Rivista del Diritto Commerciale, v. 41, I. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Nº 104, outubro-dezembro de 1996, p. 109-126.

PACIELLO, Gaetano. A evolução do conceito de empresa no direito italiano. Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, São Paulo, v. 17, n. 29, p.39-56, jan./mar. 1978, p. 41.

ASQUINI, Alberto.  Profili dell´impresa. Rivista del diritto commerciale, Milano, v.14, I, 1943, p. 27.

BRUNETTI, Antonio.  Trattato del diritto delle società. 2.ed. Milano: Dott A. Giuffré, 1948. v.1, p. 59.

Autor: Werley Novais.