Os
números falam. Como ouvi-los?
Após analisar o desempenho semestral, como traçar cenários e envolver a equipe na elaboração de projeções? E as áreas que estão distantes da meta e as que estão acima?
Estamos praticamente em meados do nosso ano fiscal
e notamos que diversas organizações começaram a analisar o desempenho do
primeiro semestre, conciliando com as metas traçadas e entendendo qual a
tendência do cenário da organização para os próximos meses.
Agora como podemos fazer para traçar estes
cenários? Como envolver a equipe na elaboração de projeções? E aquelas áreas
que invariavelmente estão distantes da meta e as que estão acima?
Recentemente nas reuniões de resultados das
organizações que participamos, encontramos cenários distintos dentro da mesma
empresa, no entanto nos baseamos primeiramente no cenário global, visão
holística, para depois desdobrar nas áreas.
No cenário global entendemos como estão os
resultados via análise do DRE – Demonstrativo do Resultado do Exercício, fluxo
de caixa e quando possível balanço patrimonial.
Como havia mencionado no artigo Gastos são como unhas: Devemos sempre corta-los”,
é essencial que entendamos qual o cenário que a organização está
caminhando:
Se otimista, precisamos entender o que impulsionou
a organização para estes resultados, principalmente se foi algo pontual ou se
algum projeto ou ação obteve êxito. Geralmente, quando a organização implanta
um sistema de gestão impulsionado por metas de desempenho e atrelados a
programas de incentivos, acabam apontando para este tipo de cenário;
Se conservador, entendemos que está em linha com o
que havíamos planejado, no entanto não podemos deixar as equipes acomodadas.
Diversos segmentos de mercados possuem um 2º semestre muito mais agitado do que
o 1º, portanto, precisaremos entender se ocorrerá algum impacto positivo ou
negativo nas expectativas da organização para definirmos, caso não o tenham, um
plano de contingência. Reforço que dependendo do tipo de serviço ou produto
algumas vezes muito acima da meta pode ser prejudicial para a qualidade do que
oferecemos para os nossos clientes, portanto fiquem atentos!
Se pessimista, devemos entender quais foram as
metas não alcançadas, onde cada desempenho ditará um conjunto de ações
distintas.
Para ilustrar como entendemos os impactos em
quaisquer um dos cenários, listarei abaixo algumas análises que fazemos nas
organizações.
Quando o faturamento está abaixo ou acima
do planejado o que recomendamos:
Entenda se o faturamento está abaixo ou acima de
forma sistêmica ou em alguns serviços e ou produtos. Analise se alguma região
foi afetada ou privilegiada. Entenda se algum gerente necessita de auxílio ou
alguma equipe. Entenda se algum gerente despontou enquanto outros ficaram
medianos.
Algumas organizações possuem o funil de vendas bem
estruturado, será que as prospecções que outrora estavam quentes ainda não
fecharam ou até mesmo desistiram? Será que estamos coletando as causas do não
fechamento e as causas do fechamento? Esta segunda utilizamos muito para
realizar comparações internas com o intuito de difundir as ações de sucesso.
Claro que de região para região ajustes serão bem vindos.
Lembro que, em uma das organizações que
trabalhamos, implantamos uma análise de projeção de vendas onde com a chegada
do final do mês de junho cada gerente analisava o desempenho do semestre do ano
em vigor, comparado com a meta traçada e os anos anteriores, entendendo se a
sazonalidade havia se deslocado, bem como se o ciclo de vida de determinados
produtos e ou serviços estavam apontando para uma tendência crescente ou
decrescente, com isto o elo entre Comercial, Pesquisa e Desenvolvimento, Novos Produtos, Marketing e Produção ou Operação ficava cada vez mais forte. Reforço
que as áreas podem variar de organização para organização.
Agora quando os gastos estão muito abaixo ou
muito acima do esperado? Não se esqueçam de que os gastos podem estar
dentro da meta, mas será que o faturamento está?
Gosto de entender se gastamos mais ou menos para
gerar o faturamento desejado, isto pode encurtar discussões homéricas.
Caso tenhamos gasto mais, analise conta por conta
entendendo o que poderia ter sido evitado e projete para que os gastos voltem
ao patamar desejado. Neste caso será de suma importância que inclusive reduza
literalmente;
Caso tenhamos gasto menos, claro que devemos ficar
contentes, mas cuidado com os “guardadores de notas de gavetas” este tipo de
comportamento pode afetar todo um resultado positivo;
Além disto, recomendo que as organizações implantem
metodologias de custeio, que seja por absorção, por atividades, precificação
entendendo as variáveis do negócio, dentre outras. Estas metodologias nos
ajudam consideravelmente na tomada de decisão.
Sem dúvida, existem inúmeras formas de análise,
entretanto, como frisei em todos os artigos escritos até o momento, façamos
algo simples que nos ajude na tomada de decisão. Porém, para as organizações
que estão com o seu nível de maturidade de gestão elevado, por que não utilizar
ferramentas estatísticas mais rebuscadas? Aconselho refletir acerca do momento
da sua organização e lembre-se que os números falam, precisamos saber ouvi-los.
Eduardo Bezerra é CEO da Exection,
e conta com mais de 15 anos de experiência em conusultoria em gestão
empresarial.
Fonte: EndeavorBrasil.
Matéria postada por Werley Novais.
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